Como um rio de fogo, seus cabelos ruivos e lisos dançam à minha frente enquanto ela caminha sorridente em direção a mais um conhecido. Seu maior prazer: ver e ser vista, amada, idolatrada, salve e salve. Eu a sigo com meus olhos atentos e meu sorriso pálido no rosto iluminado por uma sombra de ciúmes que há tempos me persegue. Em que momento me deixei levar por tamanha serpente encantadora de gente? Seu semblante, sempre leve, somente franzia em contragosto quando percebia o meu incômodo diante de tudo o que para ela era tão natural. Eu poderia correr, fugir, sumir dali a qualquer tempo, mas como um viciado, não o fazia, certo de que quando eu quisesse, eu o conseguiria, bastando somente uma simples decisão... que nunca vinha. Seus olhos eram livres e lindos, de cor indefinida, meio castanhos, às vezes verdes, mas de certo encantadores e hipnotizantes. Sua voz, sempre doce, sempre calma, sempre amiga, envolvia, aquietava e domava qualquer ímpeto que eu pudesse ter de resistir a tu...